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“UMA AJUDA ESPECIAL” ‘Era uma vez uma formiguinha...’ Nilma Vera V. Quintana Midence.Pedagoga especialista em Equoterapia pela UNB. |
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Trabalhar com crianças é sempre gratificante: a todo momento algo novo acontece e com isso vamos aprendendo a conviver com as surpresas do dia-a-dia. Aqui na ANDE-BRASIL, meu trabalho como mediadora me possibilita lidar com crianças com diferentes graus de dificuldades e, como pedagoga, no geral atuo com as que apresentam maior dificuldade de aprendizagem. Uma dessas surpresas ocorreu com um menino, portador de Síndrome de Asperger, com toda sua gama de individualidade dentro de seu mundo, sua fala robotizada sem nenhuma reação ao me ver perto dele. A princípio, também fiquei sem ação, pois agora iríamos trabalhar juntos. Depois de algumas sessões com a psicóloga, esta me disse que não estava conseguindo um canal de comunicação com ele e que gostaria que eu tentasse, pois o praticante estava exatamente na fase de alfabetização. Inicialmente, senti-me incapaz, porquanto ele nem me notava. Mesmo assim, lancei-me nesse desafio, pois gostaria de saber como seria dali para a frente. E assim foi. Na primeira sessão, nada. Ele não percebia nem a mim nem ao cavalo, apenas montava. não cumprimentava ninguém, não tocava nem acariciava o cavalo; estava lá no seu mundo, onde a ninguém era permitido entrar. A segunda sessão foi semelhante, sem nenhuma novidade; por mais que eu tentasse ele continuava voltado para seu interior. Na terceira sessão, fomos dar um passeio pela área externa, fazendo uma grande volta e eis que surge, em nosso caminho, uma formiguinha. Foi quando paramos os cavalos, para que ele observasse as vacas que estavam passando e ele notou a minúscula “formiga cabeçuda” cortando as folhas. Ele pediu para apear e ficou observando o vai-e-vem das formigas. Ficou encantado e pediu para que eu pegasse uma para ele ver mais de perto. Apanhei uma delas e a magia se fez presente, pois começamos a conversar nesse mesmo momento. Levamos a formiguinha até o picadeiro e ele não queria ir mais embora, pois desejava ficar de mãos dadas comigo para vê-la de perto. O bichinho passou a ser nosso ele de comunicação e, desde esse dia, nossa interação ficou bem melhor, pois tudo foi possível fazer por meio da pequena formiga. Comecei a usá-la como recompensa: “Vamos trabalhar tudo o que é proposto e depois vamos ver as formiguinhas”. Com isso, sua aprendizagem fluiu de maneira clara e a cada dia foi ficando melhor. Dias depois, ele quis levar uma formiga para casa e eu permiti, pois estava indo tão bem que não poderia deixá-lo frustrar-se com minha recusa. Coloquei uma formiguinha no vidro e ele a levou para sua casa bem feliz. Assim, durante várias sessões, tudo era possível realizar para depois irmos buscar a formiguinha. Hoje já alcançamos um grau tão bom de interação entre mediador/praticante/cavalo que se consegue trabalhar sem o recebimento da recompensa, pois ele entende e aceita ficar sem levar a formiguinha para casa. Seus horizontes se ampliaram de tal forma que já está lendo tudo, forma frases, reconhece o cavalo e todas suas partes e sabe a utilidade de cada material usado para o encilhamento. Acredito que isso é apenas o início de uma caminhada, pois ele vai aprender a transferir tudo o que aprendeu aqui de uma forma bem prazerosa para o seu dia-a-dia. Para mim, foi muito gratificante, pois jamais poderia imaginar que uma simples formiguinha pudesse me proporcionar a aventura que hoje relato aqui. |
Nilma Vera V. Quintana Midence é pedagoga e especialista em Equoterapia pela UnB. Atuou no Ensino Regular como professora alfabetizadora da SEDF por 18 anos. Está há 6 anos no Ensino Especial trabalhando com Equoterapia, onde desenvolve trabalho com crianças com Transtorno de Hiperatividade e Déficit de Atenção. Trabalho este realizado com muita dedicação, sensibilidade e carinho, mostrando que é possível quando se tem vontade e, acima de tudo, amor.